O Corpo É O Culpado – A História de Nós Dois: Parte XVI

O Corpo É O Culpado - A História de Nós Dois: Parte XVI

Acho que agora entendo sua confusão. Mas como poderia entender antes se a minha mente transbordava certezas? Todo aquele tempo eu pensava que “não sei” era uma forma sutil de dizer não, mas agora passo a descordar um pouco disso. Eu sentia você de todas as formas que se é possível. Eu estava ao seu lado porque queria e sentia que a sua presença era especial. Eu gostava de seus casos, conversas, palavras e risos. Deveria ser por isso que eu confiava em você, porque você também confiava em mim e abriu sua vida e seus segredos fechados a sete chaves pra mim. Talvez isso tenha feito eu me sentir especial de alguma forma mesmo que você não fosse muito de demonstrar e que pra você tanto fazia eu estar alí ou não em momentos vazios. Mas eu, você e todo mundo sabiamos que quando estávamos juntos, as faíscas brilhavam e parecia que queríamos mesmo estar alí, fazendo o que quer que fosse. Quem sabe meu maior erro foi ter sido sua amiga, mas era por isso que eu gostava de você, por mais que nos usássemos na atração de nossos corpos, nossos corações estavam em sintonia. Eu era a harmonia e você os acordes, juntos tocávamos a melhor música, separados ainda existíamos, mas sem algo para nos complementar. E eu sabia que sentia paixão enquanto você tinha um jeito muito diferente de “gostar”, mas não me arrependo nem um pouco da nossa história. Ela teve início, meio e fim. E esse fim ainda lateja em minha cabeça nas noites frias de inverno. Eu até procurei em outros corpos encontrar você, o que foi burrice da minha parte porque não é assim que funciona. Ninguém é você. E é nisso que eu me apego e me confundo. Você agora faz parte da minha confusão premeditada. Queria mesmo ter você aqui comigo às vezes, não precisa ser sempre, só numa tarde de domingo, uma noite de terça ou na manhã de quinta. Em algum momento ainda quero te sentir e ter todas as experiências com você, só com você…

– A Garota do 504

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XV

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XV

“Às vezes, ele me olhava com olhos de desejo e eu sabia que mergulhava naquela sensação como nunca antes. Foram tantos dias assim, palavras trocadas e confiança crescendo entre a gente. E eu? Eu fui me envolvendo, entrando na história e escrevendo um romance na minha cabeça. Só que ele me beijou e isso acabou intensificando tudo o que sentia. Prometi tantas vezes não me entregar e não deixar que a coisa mexesse comigo, mas o danado era teimoso e fazia meus pêlos arrepiarem como ninguém. Eu gostava do que fazia com as mãos e principalmente da forma como seus lábios me tocavam. Algumas vezes foram o bastante para eu achar que havia me apaixonado e hoje enxergo essa história com ternura e sem arrependimentos. Eu queria mesmo que tudo tivesse acontecido com você e ainda espero que aconteça. Não sei, apesar dos apesares você ainda mexe comigo de um jeito que ninguém mais faz. Que ninguém nunca fez. Não, não é exatamente sentimento, mas parece que todas as vezes que nossos olhares se encontram, uma faísca surge entre nós e a chama acende de todas as maneiras existentes. E é ai que eu me lembro de nossos momentos juntos e de como você me fazia sentir prazer. Não sei porque estou escrevendo tudo isso no passado se acredito que essa história nunca vai ter fim. Dizem que algumas pessoas sempre vão mexer com a gente, talvez você seja uma delas. Tudo o que é intenso demais é difícil de esquecer. E, meu caro, você veio numa intensidade absurda. Não consigo, não dá pra simplesmente escrever tudo isso e amassar a folha de papel jogando-a pela janela. Palavras, ah, palavras não me deixam dizer como as borboletas voam em meu estômago e tudo esquenta aqui dentro por você. Só por você…”

– A Garota do 504

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XIV

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XIV

Cansei de escrever sobre você e sei que as pessoas cansaram de ler também. Cansei de pensar e elaborar paráfrases, sentenças e orações sobre suas inseguranças, medos e enganos.
Chega uma hora que fica repetitivo, bate na mesma tecla e dá defeito. Por mais que eu esteja exausta de sempre ver as mesmas palavras surgirem em minha mente, eu ainda espero que elas surjam e acho que isso é o pior. É uma situação limite, não quero lembrar mas tenho medo de esquecer.
É verdade, eu tenho medo de te esquecer. Medo de deixar minha memória ir embora com todas as coisas boas que vivemos juntos. Tantos momentos inesquecíveis, conversas interessantes, primeiras vezes irresistíveis.
Ao mesmo tempo, não quero me lembrar de como foi bom. Não quero ficar remoendo o que vivemos em minha mente e muito menos pensar em segunda chance. Segundas chances não existem para quem machuca o coração da gente.
Hoje eu sei, talvez não tenha sido por mal, e não acho que foi, mas estávamos em páginas diferentes, cada um vivendo algo distinto sobre uma mesma relação e foi aí que deu nó. Mas sabe, não guardo mágoa nem rancor. Guardo lembranças e essas espero um dia poder contar pra minha filha.
Por isso, cansei de escrever sempre a mesma coisa, pode até ser que seja sobre você, mas a partir de agora vou mudar o disco porque essa vitrola parece estar quebrada de tanto repetir a sua música e você.

– A Garota do 504

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XIII

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XIII

Cores no quadro descrevem o que sentimentos são incapazes de transmitir. Palavras em textos me lêem melhor do que o espelho. Eu, que sempre fui tão ingênua, aprendi a crescer em meio aos obstáculos que você me deu. Veja essa lágrima, ela secou. Secou meus medos, pesadelos e agonias. Veja esse rosto, ele carrega marcas e algumas rugas. Tudo foi fruto de seus pensamentos sem propósitos e dissertações sem fundamentos. Veja esses lábios, eles tremem. Estão entreabertos implorando por algo. E não há comida nem bebida nesse mundo que os satisfaçam. Você, que é tão incerto e estranho em um mundo tão cheio de complexidades me levou para seus devaneios mais profundos. Pensei em ter em você o que não nunca tive com ninguém e me decepcionei no mais puro olhar de piedade. Só que o sofá aqui de casa sente sua falta, a colcha também. E quiçá eu. Faltam palavras, gestos, atitudes, carinhos, abraços. Falta você nesse inverno russo no meio de fevereiro. Falta você pra me dizer que eu te enlouqueço. Falta você pra dizer que talvez, só talvez, eu seja feita pra você.

– A Garota do 504

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XII

O CORPO É O CULPADO – A HISTÓRIA DE NÓS DOIS: PARTE XII

“Eu disse, eu avisei. Eu falei mil vezes que era melhor nunca mais te ver. Era isso o que eu queria evitar, queria evitar pensar em você, sentir tudo de novo, queria evitar que o bandaid descolasse. Mas você apareceu, do nada, como se fosse premeditado porque qualquer um poderia aparecer alí naquele exato momento, mas por obra do acaso, quem apareceu foi você. E depois… pessoas que lembram você. E tudo isso por quê? Pra me avisar que eu ainda gosto de você? Foi um tapa na cara do meu orgulho? Foi pra eu enfraquecer e reviver todos os nossos momentos? Eu tava bem aqui, sozinha, sem você. Não queria, não precisava, não podia. Mas aí você vem, aparece na hora errada e mexe com tudo aqui dentro de novo. Para com isso! Eu sou frágil, sou como vidro quando trata-se de você. Eu amoleço, quebro e viro caco. Mas ahh, como eu queria que não precisasse ter dito adeus. Como eu queria que as coisas fossem diferentes. Como eu queria que você fosse tão apaixonado por mim como eu fui por você. Como eu queria um pouco de valor, um pouco de carinho, um pouco de afeto, um pouco de beijo. Não, não, eu não posso. Não posso pensar nisso. Não te quero aqui, por mais que eu queira, eu não te quero. Você confunde essa cabeça que é tão cheia de certezas! Por isso, compre uma passagem só de ida, não volte pra mim. Se for para voltar, que seja de corpo, alma e coração.”

– A Garota do 504

O Corpo É O Culpado – A História de Nós Dois: Parte XI

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Acho que precisava de alguém e não de você. Você poderia até completar metade das minhas exigências para se tornar aquele alguém, mas não gosto de partes incompletas, ou você é inteiro, ou simplesmente não é. Eu gostei de você como uma criança gosta de um cobertor em uma noite de inverno, como uma abelha gosta do pólen da flor, como as nuvens gostam da chuva. Só que você não foi minha metade da laranja, a carne da minha unha, minha alma gêmea. Você foi mais um. Eu que pensei que você fosse um acabou se tornando mais um que passou pela minha vida bagunçando tudo e deixando a baderna para eu arrumar depois. Mas, sabe, não me arrependo de nada. Me apaixonei sim, me frustei sim, mas você não foi o primeiro e nem será o último a me decepcionar. Então entra na fila, pega uma senha, os dias estão passando e você continua o mesmo de sempre, mas eu não espero mais uma mudança porque não tenho espírito de catequista e sei que esperar por você é como esperar pelo sol em noite de tempestade: inútil e decepcionante.

– A Garota do 504

O Corpo É O Culpado – A História de Nós Dois: Parte X

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Não tenho tempo de pensar em você, mas quando penso é foda. Desculpe-me o palavrão, você sabe que não gosto muito de usá-los, mas não há palavra que expresse melhor o sentimento. Difícil, complicado, pertubador, nada disso é suficiente. Por isso, opto por foda. É foda não te ver, trocar meias palavras por mensagem e não sentir nada. Não dá pra não sentir. Não dá pra não pensar, sabe? Conhece aquela música da Sandy? Não dá pra não pensar em você? Porque sou eu e você. Posso ter me desapegado o suficiente pra não estar apaixonada, mas preciso de um ponto final na minha vida que já é tão cheia de vírgulas. Com você é sempre tão complicado que cansa. Eu quero ter a sorte de um amor tranquilo, por mais Cazuza que isso possa parecer, mas o poeta do amor sempre teve razão ao se referir às relações amorosas. Eu sei, é contraditório ser racional com o amor, mas acontece. O problema é que às vezes acho que prefiro ser feliz do que ter razão e é aí que a sua confusão faz parte de mim.

– A Garota do 504

O Corpo É O Culpado – A História de Nós Dois: Parte IX

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Acho que me desencantei por você. Não sei, é só chute, mas é que meu coração não dispara mais ao te ver, e por mais que eu fiquei arrepiada quando você me toca, não é a mesma coisa. Talvez pela primeira vez a razão esteja falando mais alto, e isso acontece porque a paixão já não é mais prioridade e não se faz mais valer como antes. Você me deu momentos incríveis, mas foram só momentos que guardarei aqui dentro em um lugar onde quando eu estiver pronta pra acessá-los novamente, farei. Desculpe-me mas acho que cansei, cansei de suas dúvidas e incertezas, cansei de me doar demais e não receber o mesmo em troca, cansei de gastar energia em algo que não tem futuro. Talvez eu tenha até cansado de você, não sei porque, mas talvez tenha. Assim, muito obrigada por tudo o que vivemos, mas chegou a hora de devolver a você o que me deu. Beijos, abraços, se cuida, quem sabe se um dia a gente não se encontra?

– A Garota do 504

O Corpo É O Culpado – A História de Nós Dois: Parte VIII

O Corpo É O Culpado - A História de Nós Dois: Parte VIII

Hoje eu sonhei com você e acordei com vontade de te ver. Estou morrendo de vontade de você, mas não sei se você compartilha desse sentimento. E eu estou confusa. Tão confusa em relação a você. Queria te ligar, dizer que sinto sua falta, que quero ter a oportunidade de te abraçar antes do ano novo, de te beijar ainda esse ano. Mas do que adiantaria dizer tudo isso? Do que adiantaria fazer isso? Tenho medo de você cansar de mim. Não quero ser a triste garota que sempre corre atrás, mesmo sabendo que sou. Sou porque você me deixa louca e sem noção, tudo o que é passível de racional eu perco quando se trata de você. Eu sei, pode falar que eu já sabia disso tudo quando me envolvi com você, que aceitei os termos e normas, mas isso se deve ao fato de ser ruim com você e muito pior sem. Você me embrulha, confunde, bagunça, mistura. Com você não sou uma só, sou milhões de incertezas, dúvidas e inseguranças, porque você me faz perder a segurança. Você é como um bandido que roubou de mim a autoconfiança, quando se trata de te perder, eu tremo e cambaleio de medo. Não, não, não. Agora ainda não, não te tira de mim, por favor, é só o que peço.

– A Garota do 504

O Corpo é o Culpado – A História de Nós Dois: Parte VII

O Corpo é o Culpado - A História de Nós Dois: Parte VII

Hoje eu fiquei impressionada com a quantidade de textos que eu já tinha escrito sobre você. E me lembrei de você me perguntando há alguns dias se eu já tinha escrito sobre nós dois, que você não queria indireta em textos no facebook, e eu respondi que a maioria das coisas que eu escrevia, eu não colocava lá. Porque não quero me expor, de verdade, não quero. Sabe, eu me derreti toda e tentei não deixar transparecer quando você disse que uma certa garota que escrevia livro te deixava louco e me perguntou se você me deixava louca. Na hora, eu bem queria negar, mas não tem jeito, você deixa mesmo, o que eu vou dizer? Acho que aquela noite foi uma das mais bonitas que já tivemos, na verdade, acredito que cada vez que ficamos é a mais bonita, só aumenta a ideia de beleza que tenho. Eu senti meu coração disparar quando você me perguntou o porquê de eu ainda voltar, o porquê de eu ainda ficar com você. Não tenho resposta exata pra isso, e aí você me puxa e segura meu rosto pra eu esquecer as palavras de vez. É, eu perco as palavras ao seu lado, perco o fio da meada com o seu toque. Mas disso tudo você já sabe, não é novidade pra ninguém que eu fico excitada só de ter, apesar de você só perceber isso naquela noite, em que tantos olhares curiosos procuravam por nós, e não estávamos nem aí. Sabe por que? Aquele momento era nosso e de mais ninguém, independente dos olhos que buscavam por alguma informação. Dessa vez, não deixamos marcas visíveis, porém marcas mais profundas, porque são internas e eu senti vontade de gritar por você, gritar implorando por você. Eu não sei, de verdade, paixão não sei se é, mas que algo forte é, não tenho dúvidas.

– A Garota do 504